Agenda para final de Janeiro/princípio de Fevereiro:
21 de Janeiro, 16 horas, Museu República e Resistência na Cidade Universitária, apresentação de "Anatomia dos Mártires"
25 de Janeiro, Café Com Letras, em Oeiras, com apresentação de Carlos Vaz Marques. 21h30
26 de Janeiro: Clube de Leitores da Bulhosa de Entrecampos, 18h, Lisboa
10 de Fevereiro (hora a definir ao fim da tarde), Livraria Leitura, Centro Comercial Bom Sucesso (Shopping Center Cidade do Porto), Porto
11 de Fevereiro, Livraria 100ª Página, Braga, 11h30
11 de Fevereiro, FNAC Norte Shopping, 16h
16 de Fevereiro, Livraria Arquivo, Leiria, 18h30 (com David Machado e Nuno Camarneiro)
A situação da Sara Figueiredo Costa com a revista Os Meus Livros acontece um pouco por toda a parte, e de todas as formas, no nosso país. E está na altura de as coisas deixarem de ser assim, sob pena de, um dia, os trabalhadores independentes - e muito valiosos para qualquer estrutura de uma empresa, seja esta inserida ou não no mundo da publicação-edição - se revoltarem em massa e deixarem os seus empregadores em sérias dificuldades. Os casos são inúmeros e diários: confrontados com a necessidade de enviarmos um recibo verde antes de recebermos o dinheiro por um trabalho (o que faz pouquíssimo sentido, uma vez que um recibo significa, à partida, que já recebemos), ficamos, por vezes, à espera durante semanas ou meses pelo pagamento, que será efectuado quando a empresa que nos contratou assim o decidir fazer. Raramente o prazo oferecido é cumprido; e, embora grande parte dos meus empregadores me pague a tempo e horas, já me aconteceu receber com seis meses de atraso e, há alguns anos, quando era menos precavido e experiente, nunca chegar a receber. Por exemplo: uma das editoras em que publiquei os meus livros - um deles vencedor do Prémio José Saramago - deve-me royalties há alguns anos que, aparentemente, não fazem qualquer intenção de pagar. Depois de centenas de emails, telefonemas e promessas adiadas, desisti de tentar resolver o problema pessoalmente e a bem, embora: 1) os direitos de autor sejam o meu ganha-pão; 2) receba apenas 10% por livro vendido. Evidentemente, e porque essa editora publicou autores que hoje são de referência, todos saímos incompatibilizados (só para citar alguns nomes: Valter Hugo Mãe - também publicou um livro vencedor do prémio Saramago nessa editora -, Miguel Real, Paulo Moreiras); evidentemente, todos somos mais precavidos e cuidadosos hoje em dia: eu, por exemplo, defendo com unhas e dentes - e com um advogado de direitos de autor - o meu trabalho e o cumprimento dos pagamentos. O resultado dessa incompatibilização foi o descrédito dessa editora: não sei o que fazem hoje, sei que perderam todos os autores portugueses que tinham, com os quais poderiam ter feito muito dinheiro, se se tivessem portado como deve ser.
Isto para dizer que qualquer situação destas tem de ser denunciada: as empresas, seja em que área se movam, têm a obrigação de pagar aos seus colaboradores com a mesma celeridade com que pagam aos seus contratados. Os recibos verdes não são um bilhete para o laxismo e a promessa adiada, mas um contrato de respeito e boa-fé.
Estou com a Sara até ao fim.
Agenda para final de Janeiro/princípio de Fevereiro:
21 de Janeiro, 16 horas, Museu República e Resistência na Cidade Universitária, apresentação de "Anatomia dos Mártires"
25 de Janeiro, Café Com Letras, em Oeiras, com apresentação de Carlos Vaz Marques. 21h30
26 de Janeiro: Clube de Leitores da Bulhosa de Entrecampos, 18h, Lisboa
10 de Fevereiro (hora a definir ao fim da tarde), Livraria Leitura, Centro Comercial Bom Sucesso (Shopping Center Cidade do Porto), Porto
11 de Fevereiro, Livraria 100ª Página, Braga, 11h30
11 de Fevereiro, FNAC Norte Shopping, 16h
16 de Fevereiro, Livraria Arquivo, Leiria, 18h30 (com David Machado e Nuno Camarneiro)
Marquem na vossa agenda: no dia 21 de Janeiro, Sábado, uma apresentação muito especial de "Anatomia dos Mártires" na Biblioteca-Museu República e Resistência, na Cidade Universitária (rua Alberto Sousa, 10A, Lisboa), onde falaremos do romance, de Catarina Eufémia, de literatura e dos nomes que fizeram a luta pelo nosso país. É uma apresentação muito especial para mim: apareçam.
"Anatomia dos Mártires" no Jornal de Letras, por Miguel Real:
"(...) um dos mais belos finais da história do romance português, simultaneamente realista, épico e lírico"
A Agenda Cultural de Lisboa descreve assim Anatomia dos Mártires:
| Em Anatomia dos Mártires cruza, com o virtuosismo narrativo que caracteriza a sua obra, várias histórias aparentemente inconciliáveis: a de um mártir religioso e a do seu biógrafo, a de Catarina Eufémia (a mártir política) e a do seu investigador (o narrador, jovem jornalista), a do envolvimento amoroso do protagonista com uma militante do IRA. Considerando que um mártir "é alguém que tem a razão do seu lado e ainda assim fracassa" narra também as histórias do editor de um jornal e do pai do protagonista, membros de uma geração que testemunhou e lutou contra os crimes do fascismo, que viveu o 25 de Abril de 1974, mas que não se revê no Portugal contemporâneo. Tudo com o brilhantismo de uma caixa chinesa: o romance contém, para além das múltiplas narrativas enunciadas, a narrativa de uma investigação e a narrativa da própria construção do romance. Mas, é sobretudo uma investigação sobre o mito de catarina Eufémia, entre realidade e lenda. Afinal, "a literatura é sobretudo lenda, novas interpretações do real. Para entender a história, por vezes, a melhor maneira é ficcioná-la". |
amanhã, dia 16 de Dezembro, às 18h30, vou estar na FNAC do Chiado para conversar com os leitores (ou com quem quiser) sobre Anatomia dos Mártires. Apareçam!!!
No Ipsilon, entrevista com São José Almeida.
“Anatomia dos Mártires” é um romance feliz. Feliz porque é conseguido: tem um objectivo claro e atinge-o. Feliz porque está escrito de um modo envol- vente, com ritmo e expectativa. E com uma enorme capacidade de fazer retratos, de agarrar fragmentos do que é Portugal hoje e do que é a esquerda portuguesa pós 25 de Abril, com uma impressiva lucidez, um distanciamento, possibilitado por o autor ser já da geração seguinte, uma fina ironia, mas igualmente e acima de tudo um aconchegante carinho. (...)
Romance frio na análise, duro no diagnóstico, brutal no retrato, “Anatomia dos Mártires” não é, contudo, um texto de desistência, um texto de capitulação individual. É um ro- mance que convicção no colectivo que surpreende o leitor com um final quase épico, de renascimento inte- rior da personagem principal, que depois de perder tudo – família, na- moradas, emprego – encontra na memória do passado e dos seus mor- tos colectivos e individuais e na ami- zade com Afonso, a força para viver, para ter um futuro. “É sim, é um ro- mance de convicção no colectivo, porque a convicção tem que ser co- lectiva, tem que ser de uma geração inteira”, afirma assertivo João Tordo. E insiste em falar sobre o país e a crise que se vive em Portugal: “Sem entendermos os sítios de onde vie- mos, sem entendermos os mortos, muito dificilmente poderemos sair disto. Isto não é uma crise que se resolva com números, é uma crise ideológica. São coisas muito mais profundas que a crise da dívida e os problemas da Grécia, tem a ver com a crise de uma ideologia que está errada. É claro que tem que se resolver o problema da dívida porque é nesses padrões que o mundo pensa e funciona hoje. Mas depois temos de tratar da nossa cabeça da nossa relação com o passado.”
Por isso, frisa que é preciso ques- tionarmos o passado, as nossas várias Catarinas Eufémias, cuja história está esquecida e ninguém discute. “O que é que correu mal em Portugal? Qual o nosso problema com a história?”, pergunta, respondendo: “A lenda diz que o Dom Sebastião um dia vai voltar, mas os portugueses não querem que ele volte. Não queremos encarar o passado.”