Este Sábado, 19 de Maio, os Loafing Heroes estão de volta, desta vez nos Bacalhoeiros (Rua dos Bacalhoeiros). Às 22h!
Bartolo: guitars and vocals; João Tordo: bass; Kelly Markes: violino; Nuno Mourão: percurssão; Quique: backing vocals
Já com alguns anos, "Na Ausência de Blanca" é uma verdadeira pérola de Antonio Muñoz Molina. Com um enredo que lembra, por vezes, "O Inquilino", de Cercas, é uma história assombrosa e surreal de um homem tímido, reservado e solitário - dedicadíssimo à sua mulher - que, aquando da chegada de um rival, vê Blanca, objecto supremo do seu amor, transfigurada numa mulher que ele suspeita não ser a sua. Valia a pena uma reedição desta novela espantosa (no sentido português, não espanhol). "O Inverno em Lisboa", também de Molina, foi um dos romances que marcaram a minha adolescência; é muito bom redescobri-lo, tantos anos passados.
É bastante desinteressante a ideia de que tudo o que se fez de interessante já aconteceu. Sobretudo em literatura, um mundo onde o pó e o esquecimento conferem "valor" às obras e aos autores. Relendo algumas entrevistas, dou-me conta de que alguns dos nossos mais estimados intelectuais partilham de uma espécie de nostalgia maligna, que os faz olhar para o presente com fúria demolidora, sendo incapazes de reconhecer qualquer valor a alguém que não esteja morto há, pelo menos, setenta anos. Num dos números da revista LER que tenho guardado, Vasco Pulido Valente tenta arrasar a contemporaneidade - como, aliás, sempre tentou -, chamando a Saramago um escritor das Caraíbas e invocando, vezes sem conta, os mortos. A ele só lhe interessam os mortos, os que já partiram, os que não se encontram para lhe dar réplica e que permanecem silenciosos do fundo das suas campas; tudo o que esteja vivo lhe provoca intolerância. Nalgumas entrevistas de Lobo Antunes sentimos o mesmo pesar: o escritor acumula dezenas de citações (está sempre a dizer que tal e tal "dizia que", um vício estranho em alguém com uma voz própria tão forte), e as citações são, também elas, todas dos mortos. O que está vivo parece encontrar-se contaminado por uma patine de superficialidade (excepto, claro está, o que o próprio escreve), pela mancha indelével da estupidez. Dou apenas dois exemplos, mas poderia dar muito mais: a alergia ao contemporâneo é uma característica muito própria de uma certa elite, que se refugia no passado para evitar confrontar-se com o presente - ou seja, para não se dar ao maçador inconveniente de ter de o apreciar. A mim, o presente interessa-me muito mais. Fui formado pelo passado, claro está, e li os clássicos, como qualquer escritor que se preze. Hoje, porém, interessa-me pouco o que andará a fazer Faulkner, Gogol, Melville ou Pessoa - até porque, como todos sabemos, não andam a fazer coisa nenhuma. Mas interessa-me (muito) saber o que andam a fazer os meus contemporâneos e conterrâneos; interessa-me (muito) saber o que andam a fazer o David Machado, o Miguel Real, o Valter Hugo Mãe, o Paulo Moreiras, a Patrícia Reis, o Afonso Cruz, o Gonçalo Tavares, a Patrícia Portela, o Hugo Gonçalves, etc, etc, etc, etc. E, por isso, evito citar os mortos para parecer culto ou inteligente (não preciso de o fazer) ou a dizer que este ou aquele morto diziam isto ou aquilo - há material mais do que suficiente para invocarmos a contemporaneidade e ela soar tão ou mais verdadeira do que os clássicos.
hoje vou estar em Pombal, às 17h, na Feira do Livro (junto à Biblioteca Municipal de Pombal), para falar de "Anatomia dos Mártires" e outros livros....e o Paulo Moreiras vai lá estar...
Hoje, a partir das 18h, vou estar na Biblioteca Municipal de Coimbra para as conversas ao fim da tarde. Falaremos de "Anatomia dos Mártires" e outros livros. Apareçam!
Dias 6 e 12 de Maio vou estar na Feira do Livro de Lisboa a partir das 16h, no stand da Leya, para autógrafos e conhecer os leitores. Apareçam!
Hoje, 24 de Abril, 22h, no Chapitô.
Na Tenda, João Tordo e Viriato Teles encerram a festa com um Speaker’s Corner. Interpelem-me, não me atropelem é o mote. O público e imprensa estão convidado a interpelá-los sobre O Futuro. Que revolução?.

Entrada Livre.
Sexta, dia 13 de Abril, no Chapitô: Loafing Hero. Com Bartholomew (guitarra e voz), João Tordo (baixo), Kelly Markes (violino), Nuno Mourão (percussão), Enrique Pinto Coelho (backing vocals). Às 22h!